A melhor árvore do Jardim
LEIA ENTORPECIDO: Sentar, parar, observar e ouvir os sons, os gestos, o tudo que se passa. É como um filme, um filme sem nexo, uma alusão a morte, a insignificância e ao delírio. As pessoas vão e vem, pouco importa se você está lá observando e ouvindo elas. Elas trazem consigo anjos, demônios e tudo o que se pode imaginar, incluindo segredos celestiais, estes objetos de desejo da luz e da escuridão, pois são eles que governam o mundo.
São estes os pedaços da melhor árvore do Jardim.

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  • Não houve Copa

    O ministro da Economia, Guido Mantega, revelou aos brasileiros um segredo: não houve Copa. Não é brincadeira. Nem se trata do fato de que o Brasil perder de 7 a 1 da Alemanha foi pior do que não ter havido Copa. É algo mais sério.

    Segundo Mantega foi por culpa dessa Copa do Mundo que o país entrou em recessão técnica, ou seja, deixou de crescer. Se isso é verdade, quer dizer que não houve Copa. Ganharam os que saíram às ruas para impedir sua realização.

    Por que não houve? Muito simples: a Copa do Mundo que o Brasil conseguiu realizar em seu território deveria ter servido, segundo o Governo, para “fazer a economia crescer”. Costuma ser assim em todos os lugares onde acontece. A Copa movimenta uma série de engrenagens industriais, comerciais e de infraestrutura que estimula a economia do país.

    Se o Brasil, pouco mais de um mês depois do evento, parou e não cresce é porque “não houve Copa”. Não como tinha sido concebida.

    O Brasil não só não cresceu com a Copa do Mundo que trouxe ao país 600.000 estrangeiros como encolheu sua economia “porque houve feriados demais”, segundo Mantega.

    A pergunta que poderia ser feita é por que o Governo se viu obrigado a dar tantos dias livres. O motivo de verdade é que, como a infraestrutura que costuma ser feita nesses eventos não foi concluída nas cidades da Copa —no caso, novas linhas de metrô, novos meios de comunicação rápida, novas estradas, etc. —, o governo teve medo de que as cidades da Copa acabassem não só paradas no trânsito como também se tornassem mais perigosas e alvo de assaltos e violência.

    Assim, as vantagens que a Copa das Copas deveria ter trazido, como maior mobilidade, maior modernidade e crescimento da economia, acabaram se esfumando. O resultado foi que a Copa, em vez de benefícios, nos trouxe, ou pelo menos antecipou, o presente envenenado da recessão.

    Ou seja, o que Mantega quis dizer com sua acusação aos feriados é que não houve Copa. Mais ainda, foi pior do que se não tivesse havido. Hoje, estaríamos melhor sem ela. Com esses resultados, mais o constrangimento do 7 a 1 contra a Alemanha, como não dar razão aos que pediam que não houvesse Copa?

    Resta ao Brasil apenas a esperança de que, em 2016, possa realizar a Olimpíada do Rio como algo do qual não se arrependa depois, porque dessa vez os Jogos teriam deixado prosperidade, uma cidade mais moderna, mais habitável e mais segura.

    A Copa? Melhor esquecê-la. Imaginemos que não foi disputada. Assim, nem a eliminação teria existido. Estaríamos todos melhores e o Brasil ainda estaria esperando o hexa feliz e contente, sem o peso da derrota histórica pesando sobre seus ombros.

    El País Brasil

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